Pensão alimentícia atrasada: como calcular parcelas vencidas em 2026

Fachada do Tribunal de Justiça de Goiás

Imagem: Conselho Nacional de Justiça/Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0. Imagem recortada e redimensionada para o padrão visual do blog.

A pensão alimentícia atrasada exige uma conta por competência. Não basta somar os meses em aberto e aplicar um percentual no fim: cada parcela pode ter base de cálculo, vencimento, pagamento parcial e atualização próprios.

Em 2026, esse cuidado fica ainda mais visível quando os alimentos foram fixados como percentual do salário mínimo ou da renda do alimentante. O Ministério da Previdência Social registrou que o salário mínimo nacional passou a R$ 1.621,00 a partir de 1º de janeiro de 2026, conforme o Decreto nº 12.797/2025. Esse valor pode impactar parcelas cujo título usa o salário mínimo como referência.

O ponto técnico é simples: a memória deve reconstruir o que era devido em cada mês, abater o que foi pago na data correta e só depois apurar a diferença atualizada. Essa separação reduz discussão sobre excesso de execução e facilita a conferência por contadoria, advogado e juízo.

Comece pelo título que fixou os alimentos

O cálculo precisa seguir a decisão, acordo homologado ou título extrajudicial. É ali que aparecem as premissas centrais: percentual sobre renda líquida ou bruta, percentual do salário mínimo, valor fixo, vencimento mensal, termo inicial, abatimentos permitidos e eventual obrigação de pagar despesas específicas.

O Código de Processo Civil trata do cumprimento de sentença de alimentos nos arts. 528 a 533. Entre outros pontos, o art. 528 prevê intimação pessoal para pagamento em 3 dias, prova do pagamento ou justificativa, e o art. 529 permite desconto em folha quando o executado recebe remuneração formal.

Por isso, o cálculo deve ser mais específico que uma planilha de dívida comum. Em alimentos, é comum haver parcelas vencidas, parcelas vincendas no curso do processo, pagamento parcial, desconto em folha e mudanças de renda. Se tudo isso for tratado como uma única dívida agregada, o resultado fica difícil de defender.

PremissaComo conferir
Base da pensãoVerifique se o título fala em salário mínimo, renda bruta, renda líquida ou valor fixo.
PercentualUse o percentual de cada período, principalmente se houve revisão ou acordo posterior.
VencimentoMarque a data mensal correta para definir atraso, correção e juros.
PagamentosAbata cada pagamento na data em que ocorreu, não apenas no total final.
Despesas extrasSepare mensalidade, plano de saúde, escola ou outros itens quando o título permitir.

Quando a pensão é percentual do salário mínimo

Se o título fixa, por exemplo, 30% do salário mínimo, cada competência deve usar o salário mínimo vigente naquele período. Assim, a parcela de janeiro de 2026 não nasce com o mesmo valor de uma parcela de dezembro de 2025, porque a base nacional mudou em 1º de janeiro de 2026.

A conta de origem da parcela é direta: salário mínimo da competência multiplicado pelo percentual fixado. Depois disso entram os elementos processuais do caso, como data-base de atualização, índice de correção monetária, juros de mora e pagamentos. O índice e os juros não devem ser escolhidos por hábito; eles devem seguir a decisão, o pedido acolhido ou o critério aplicado pelo juízo.

Também é preciso distinguir pensão baseada em salário mínimo de pensão calculada sobre renda do alimentante. Quando a base é renda, o cálculo costuma depender de holerites, benefícios, rescisões, férias, décimo terceiro e descontos autorizados. Quando a base é salário mínimo, a discussão se concentra mais na competência, no percentual e nos pagamentos realizados.

Pagamentos parciais mudam a diferença devida

Um erro recorrente é somar todas as parcelas devidas, somar todos os pagamentos e subtrair um total do outro. Esse método pode distorcer o resultado porque não respeita o tempo. Um pagamento feito em março não tem o mesmo efeito de um pagamento feito apenas meses depois.

A página do CNJ sobre as regras do CPC destaca mecanismos como protesto, prisão civil e desconto em folha para débitos alimentares. Para a memória de cálculo, isso reforça a importância de indicar exatamente quais parcelas estão sendo cobradas e quais valores já foram satisfeitos.

Em fevereiro de 2026, o Superior Tribunal de Justiça noticiou decisão em que a redução liminar da pensão tornou questionável a liquidez do débito usado para prisão civil. A lição prática para o cálculo é que alterações judiciais no valor da pensão precisam aparecer na linha do tempo.

Atualização: correção e juros devem ficar separados

Depois de apurar o valor devido e o valor pago em cada competência, a diferença pode ser atualizada até a data do cálculo. Correção monetária e juros de mora precisam ficar separados, com índice, termo inicial, termo final e percentual demonstrados. Essa apresentação ajuda a explicar o total e evita duplicidade.

Quando o critério aplicável envolver a Taxa Legal, o Banco Central informa que a metodologia usa a diferença entre Selic mensal e IPCA-15 do mês anterior, com piso zero quando o resultado é negativo. Ainda assim, a aplicação concreta depende do título e do período discutido.

EtapaResultado esperado na memória
Parcela originalValor fixado para a competência, com base e percentual indicados.
PagamentoData, valor pago e percentual ou saldo remanescente da parcela.
DiferençaValor ainda não pago antes da atualização monetária.
CorreçãoÍndice aplicado, fator e período correspondente.
JurosBase, taxa, termo inicial e valor dos juros em linha própria.

Como a SOS Cálculos ajuda a organizar a apuração

A página de Cálculo de Família da SOS Cálculos é voltada a demandas de família com necessidade de controle, consistência e histórico organizado. No módulo confirmado no sistema, é possível cadastrar fontes pagadoras, escolher entre valor informado e salário mínimo, indicar percentual de pensão, definir período, vencimento e contagem por competência ou pro-rata.

O fluxo também permite revisar lançamentos, informar IR, INSS, colunas adicionais de soma ou subtração, registrar pagamentos e gerar relatório com valores das pensões devidas. Na transferência para o cálculo judicial, as diferenças são organizadas como créditos ou deduções, preservando a data e o histórico do lançamento.

Isso não substitui a análise jurídica do título, mas reduz o risco operacional: a discussão deixa de depender de fórmulas soltas e passa a ter uma memória por competência, com bases, pagamentos e diferenças mais fáceis de auditar.

Checklist antes de apresentar o cálculo

  • confirme se a pensão é valor fixo, percentual de renda ou percentual do salário mínimo;
  • separe cada competência vencida e identifique o vencimento correto;
  • registre pagamentos parciais na data em que ocorreram;
  • destaque alterações de decisão, acordo ou exoneração no período;
  • mantenha correção monetária e juros de mora em rubricas separadas;
  • confira se parcelas vincendas entram ou não no pedido apresentado.

Em pensão alimentícia atrasada, a qualidade do cálculo está na rastreabilidade. Quem lê a memória deve conseguir sair do título, passar por cada mês cobrado, enxergar os pagamentos e chegar ao saldo atualizado sem precisar adivinhar as premissas usadas.

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